Feminismo no Golpe Militar
Nos anos 60 uma nova história da participação da mulher dentro da política e da sociedade seria escrita. É a década da quebra de tabus, da liberação sexual e da emancipação da mulher, desde então feita dona do seu corpo e destino. A ciência conspirou a favor dessa emancipação, lançado através da pílula anticoncepcional uma nova visão da maternidade. Se foi nessa década que a mulher adotou a pílula, queimou sutiãs em praça pública pelo mundo, no Brasil elas permaneciam conservadoras e voltadas para os princípios básicos e eternos do conceito de família e da religião cristã romana.
A voz feminina nas decisões políticas do país deixou, nesta década, o papel habitual de coadjuvante, tornando-se uma arma poderosa, bem usada e manipulada pela direita conservadora e pela igreja católica. No início dos anos 60 as conservadoras mulheres da classe média organizaram-se, surgiram entidades políticas femininas patrocinadas pelo Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD) e pelo Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES), destinadas a colaborarem com uma imensa conspiração que urdia para derrubar o então presidente João Goulart. Distintas senhoras mães de família, mulheres de políticos, militares, e até mesmo artistas, organizaram-se nos principais estados conspiradores, Guanabara, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, formando a União Cívica Feminina (UCF), a Campanha da Mulher pela Democracia (Camde) e a Liga da Mulher Democrata (Limde), entre outras organizações. Decididas, empunhando rosários nas mãos, as mulheres brasileiras, amparadas em suas entidades, marcharam pelas ruas das principais cidades do Brasil, primeiro exigindo a queda de João Goulart, depois, concretizado o objetivo, para saudar os militares golpistas que instaurariam uma ditadura que duraria mais de 20 anos. Vitoriosas, as mulheres aplaudiram ao ato que confortavelmente chamaram de “revolução”.
Fonte: http://jeocaz.wordpress.com
